O CONTATO VISUAL EM DIFERENTES CULTURAS: OLHO NO OLHO?

Seja em interações sociais simples ou nas mais sofisticadas negociações internacionais, o contato visual transmite informações valiosas. Olhar no olho ou não? Nem sempre um olhar vindo de um estrangeiro pode ser interpretado da forma que nossa cultura ensina. Se você estiver viajando, planejando a internacionalização de sua empresa ou prestes a negociar com alguém de outro país, é interessante entender o que os olhares podem querer dizer em outras culturas e usar isso a seu favor.

Temos diversas metáforas no mundo para falar sobre os olhos. No Ocidente “os olhos são a janela da alma”, enquanto, no Oriente, “Olhos falam tanto quanto a língua” – o que demonstra a importância que eles têm em qualquer lugar do globo.

Enquanto cada cultura nacional tem suas singularidades na interpretação do contato visual, existem algumas tendências e semelhanças pela localização geográfica dos povos. Neste artigo vamos tratar de uma forma bastante geral os significados de olhares pelo mundo – sendo um artigo relativamente introdutório, apenas a fim de instigar a curiosidade dos leitores.

NO OCIDENTE E NA ÁFRICA

Contato Visual na Europa
Contato Visual na Europa

Nas culturas ocidentais, de maneira geral, nos expressamos de forma relativamente parecida. Tanto na Europa quanto nas Américas, olhar nos olhos da pessoa que estamos conversando é apropriado na maior parte do tempo. O rosto da pessoa é o foco central da conversa. Portanto, olhares costumam transmitir a sinceridade do que os locutores estão dizendo.

Não olhar nos olhos pode ser até mesmo uma ofensa ou sinal de falta de auto-confiança para boa parte dos ocidentais. Muitos de nós, inclusive, somos ensinados a não confiar em que não olha em nossos olhos quando fala, não é? Essa também é a regra ensinada para Italianos, Espanhóis, Portugueses, Franceses, Britânicos e maior parte dos Latino-Americanos – dentre outros. Um olhar intenso e contínuo, por outro lado, pode ser sinal de agressividade e mesmo de intrusão do outro.

Os índios nativos da América costumavam transmitir poucos olhares, em uma tentiva de mostrar respeito pela hierarquia e pela fala do outro. Nos países Latinos e Africanos, ainda é bastante comum um subordinado olhar menos nos olhos de seu chefe ou líder por conta dessa herança histórica, que se reafirmou nos períodos de colonização.

NO ORIENTE MÉDIO

Contato Visual no Oriente Médio
Contato Visual no Oriente Médio

As culturas do Oriente Médio são díficies de serem analisadas como um só grupo para vários aspectos culturias. Porém, quando falamos de contato visual, existe uma grande semelhança entre os povos dessa região geográfica.

Ao contrário do Ocidente, existe muito menos contato visual nas conversas e, de maneira geral, ele é considerado menos apropriado. Entretanto, um olhar intenso pode ser direcionado no final das conversas como um atestado de vericidade de tudo que foi previamente dito. Se nesse caso os olhos pudessem falar, seria algo como “acredite, o que falei para você até agora é pura verdade”.

Existem regras fortes e enraízadas quanto ao gênero dos interlocutores. Olhares entre homens e mulheres são automaticamente relacionados a interesses românticos, devendo ser evitados nas relações pessoais e comerciais.

NA ÁSIA

Contato Visual pelo Mundo
Contato Visual pelo Mundo

O respeito é uma característica intrínseca das culturas asiáticas. As hierarquias são mais visíveis que no Ocidente e os comportamentos sociais costumam ser um reflexo desse aspecto cultural, como um todo. Por conta disso, o contato visual não é considerado essencial em interações sociais – na realidade, pode ser bastante inapropriado. Dessa maneira, subordinados não devem olhar nos olhos de seus superiores – seja em uma relação de pai e filho, professor e aluno ou funcionário e líder. Olhar para baixo é sinal de educação e respeito e é aconselhado para demonstrar humildade no começo de uma fala.

CONCLUSÃO

Diferenças do Contato Visual

Nossos olhos possuem uma configuração biológica de constraste – deixando a iris bastante à mostra sobre a colocaração branca – sendo transmissores de sentimentos e opiniões. Porém, tentar obter as informações de um olhar pode ser visto como algo invasivo e devemos ter atenção ao tomar essa decisão.

Estudos da Academia da Finlândia provam que um contato prolongado de olhares é capaz de aumentar a frequência cardiaca de Asiáticos muito mais rapidamente que a de Europeus, mostrando que é um assunto de extrema delicadeza – capaz de comprometer toda uma estratégia de negociação.

Qual é o país que você deseja “olhar com mais atenção”? Entre em contato conosco ou participe de um de nossos eventos para saber mais informações sobre adaptação cultural para a internacionalização.

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Kobayashi H, Kohshima S (1997) Unique morphology of the human eye. Nature 387: 767–768.

Mestre em Marketing Internacional pela Jönköping University, da Suécia, especialista em Administração Intercultural pelo Hofstede Insights, da Finlândia e bacharel em Administração Empresarial pela ESAG - UDESC. Atualmente palestrante em Inteligência Cultural e Sócio-proprietário da Serafina Marketing - onde desenvolve estratégias de Marketing para empresas do Brasil e do exterior. Lucas possui vivência em mais de 30 países pelo mundo.

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